domingo, 24 de março de 2013

Ói algodão!


Quando eu era pequenina e espiava o mundo pelas grades do portão, via sempre um véinho passando, gritando: - Ói algodão!
Um dia, resolvi sair e pegar a fila das crianças. Fiquei esperando o véinho transformar açúcar em nuvens, açúcar em mágica, em pedaços de carinho. Quando ficou pronto, mal podia acreditar! Peguei o algodão nos dedos e perna-pra-te-catar!
Lá de longe, o véinho gritou: Ô Ritinha, mas e o dinheeeeeeiro, Ritinha?
- Eu virei e respondi: Não, vô! Num picisa de dinheiro, não!
Só o algodão-doce já tá ótimo! Só o algodão-doce tá bão! O véinho deu risada e logo respondeu:
- É mesmo, né Ritinha? Só o algodão-doce já tá ótimo! Só o algodão-doce tá bão!"
Rita Apoena

sou uma otimista de carteirinha.


Acontece que nasci com a fé no bolso e a alma limpa. E é nos caminhos tortos que me encontro, nas palavras duras que me ajeito, me conserto e vou. Sigo e não paro nunca. Destino: felicidade. Sim, sou uma otimista de carteirinha. E é por isso que trago sempre comigo um tanto de leveza, brilho nos olhos e esse sorriso largo… e desde já aviso: vou chegar lá.
Virgínia Mello

ainda existem pessoas que eu jurava estarem em um processo de extinção.


[…] ainda existem pessoas que eu jurava estarem enclausuradas em um processo de extinção. Pessoas que conseguem fazer você botar para fora coisas que a maior parte delas só tem coragem de expor sozinhas na frente do espelho. Pessoas que te inquietam, enredam e encantam só pela forma como falam, gesticulam, ficam paradas… Pessoas por quem você não hesitaria em levantar da cama às quatro da manhã só para buscar um copo d’água, entende? Pessoas apaixonantes, é o que quero dizer.
Lucas Simões

Que quer dizer “cativar”?


Que quer dizer “cativar”?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa “criar laços…”
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…
— “O Pequeno Príncipe” - Antoine Saint Exupéry

Levitando...


 
"A alegria é um vento que nos levanta do piso e nos deixa em outra parte,  em um lugar em desaviso."

(Emile Dickson)


Escrever não é espalhar qualquer coisa em uma tela em branco. Escrever é uma gestação. É ser mãe de palavras.

 
Você sente cada letra, cuida delas, conversa com elas enquanto tomam forma. Imagina o resultado final. Acaricia cada sílaba, enfeita de cores, as veste conforme a ocasião. Não importa se de primeira viagem ou veteranas, somos mães e cuidamos dos nossos filhos. E que ninguém ouse mexer com um deles. Somos valentes em defender, com a mesma intensidade que somos generosas em dividir, em deixar nossos filhos passearem na casa dos amigos, mas como toda boa mãe, precisamos ser avisadas onde estão. Não permitimos que sejam raptados, molestados, largados de qualquer maneira em qualquer lugar. Porque são pedaço nosso, saíram de nós. E mesmo que ganhem o mundo, somos sua morada.
Renata Fagundes

-Toc Toc. - Bateram em minha porta.- Quem é? - É o amor, deixe-me entrar.


Não sei o porquê, mas aquela manha parecia diferente, mais radiante, como se algo de fabuloso fosse acontecer, eu não esperava nada de mais daquele dia, mas ele acabou mudando minha vida.
- Toc Toc. Bateram em minha porta
- Eu não estava esperando ninguém, então estranhei.
- Quem é?  Perguntei receosa.
- É o amor, deixe-me entrar.
- Olhei pelo buraco da fechadura, não vi ninguém, então voltei aos meus afazerem. 
Passaram alguns minutos, bateram na porta novamente.
- Toc Toc.
- Quem é? Perguntei já um pouco exaltada.
- É o amor deixe-me entrar. Respondeu uma voz calma e serena.
- Olhei pelo buraco da fechadura, não vi ninguém. Então parei um pouco e me vi perguntando sobre o que era o amor.  Acho que seja lá o que era aquela coisa lá fora leu meus pensamentos.
- Eu não sou algo concreto, que se possa pegar ou ver, eu tenho que ser sentido.
Pensei mais um pouco sobre o que eu sabia do amor, do que as pessoas falavam sobre ele e perguntei:
- E você amor, anda sempre sozinho ou acompanhado?
- Eu nuca ando sozinho, eu sou algo muito complexo e venho acompanhado de vários outros sentimentos.
- Dizem que o amor sempre anda junto com a dor, se eu o deixar entrar, ela também vira?
Não sei se tinha alguém na porta, mas ouvi um suspiro de leve.
- Sim, mas a dor sempre existira na vida de qualquer pessoa. Eu também trago comigo muitos sentimentos bons, como a felicidade, a esperança e o carinho.
- Mas, no final, de nada valera os sentimentos bons, sendo que o que fica é a dor.
- Muito pelo contrario, a dor é um sentimento passageiro, que o vento leva com o decorrer do tempo. Mas já o amor é muito mais forte que qualquer dor, que qualquer sofrimento ou perda.
- Eu não posso vê-lo, não posso toca-lo… Só posso senti-lo, não sei a sua forma, como saberei que é você amor? 
- Eu posso estar em todos os lugares, em um olhar, em um sorriso, um beijo, um gesto de carinho, ou em apenas, um simples abraço. Eu sou o único sentimento que pode fazer seu coração bater mais rápido e mais devagar ao mesmo tempo, posso por segundos fazer você esquecer-se de respirar pelo simples fato de olhar para uma pessoa. Se me deixar entrar eu serei o que vai te fortalecer todos os dias, te darei um sorriso pra esbanjar assim que levantar, e acima de tudo te darei forcas pra lutar por alguém, e sempre que você precisar eu estarei onde quer que você esteja pra te ajudar.
Não pude resistir a tão lindas palavras, abri a porta, não tinha ninguém lá, mas senti um vento de leve bater em meu rosto e fazer meu cabelo voar. Caiu uma lagrima em meu rosto, fechei os olhos e senti como se estivesse abraçando o amor que pela minha porta entrava, e o recebi como se fosse um alguém.. que ja esperava faz tempo.

_ Tamiris Tassia