sexta-feira, 23 de abril de 2010
Aprendizados
Depois de algum tempo de vida a gente começa a entender a diferença sutil entre dar as mãos e acorrentar uma alma.
Você aprende que amar não significa depender...
E que companhia nem sempre significa segurança.
Você começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.
E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
Você aceita que não importa quão legal seja uma pessoa. Ela pode feri-lo ...
E você precisa apreender a perdoá-la por isso.
Você aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer apesar das longas distâncias.
E que o que importa não é o que você tem na vida. Mas quem você tem na vida.
Você aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que teve e o que aprendeu com elas do que quantos aniversários você celebrou.
Você percebe que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido. o mundo não pára pra que você se recupere ou se reconstrua.
Você também aprende que o tempo não volta atrás.
Então... O melhor que temos a fazer é plantar o nosso jardim e decorar a nossa alma.
Não dá pra esperar que alguém nos traga flores.
William Shakespeare
Voa
Voa coração , ou então...Arde! "
Eugénio de Andrade
Quanto tempo tem o seu amor?
Até o ultimo gole do café, que desce amargo, nas madrugadas que não passam, e que eu te escrevo. Penso:é a última vez! Na cabeceira da cama, no livro, na mesma música deprimente que choro toda vez que ouço? Duraria mais um pouco? É reticências,sempre. Nada se conclui, nada se resolve. Você não volta e eu não vou. Me retorço nas horas,na vontade de desistir. Cada dia seus vestígios são mais fortes, e tão piores. Disfarça, fala,e eu entendo mais. E compreender o que não se quer é como uma lança que rasga mesmo. Não queria , eu juro que não queria (muito). Se eu fosse menos egocêntrica,ah! Quando você ligasse,diria: "eu estou bem".(Ps:histérica). E desligaria sem querer de me atirar de algum lugar. Quanto tempo ainda tem teu amor? Caso você não compreenda, (porque seus planos são diferentes dos meus), eu fugi mesmo. Não se espante, se ás três da manhã eu chegar insônia, e despertar o mesmo amargo do café de todas as noites, e causar quem sabe, alguma atitude. E eu pergunto:quanto tempo terá o meu? Reticências...? Mas caso compreenda, (porque ninguém sabe mais dos meus planos do que você), eu cansei mesmo. Não se espante se meu email não chegar, se não te atender, se eu mudar de endereço. Ainda assim, por caridade, talvez, se eu quiser, te deixo algum sinal, só pra não pensar que isso não foi importante. É , foi, e ainda é. Tão abstrata, essa forma de ficar. Me confunde. Nunca gostei de esconde-esconde, gato e rato, de coisas desencontradas. Então,até o sonho me trazer o real, e me tirar essas dúvidas da cabeça, vou dar um tempo.E você? Vai ficar ou vai correr? Vai salvar ou esquecer? Você ainda tem tempo? Por obséquio, te imploro, suplico: se ainda tem, caro amor, preencha essas reticências (...), por favor.
- Patty Vicensotti
Eugénio de Andrade
Quanto tempo tem o seu amor?
Até o ultimo gole do café, que desce amargo, nas madrugadas que não passam, e que eu te escrevo. Penso:é a última vez! Na cabeceira da cama, no livro, na mesma música deprimente que choro toda vez que ouço? Duraria mais um pouco? É reticências,sempre. Nada se conclui, nada se resolve. Você não volta e eu não vou. Me retorço nas horas,na vontade de desistir. Cada dia seus vestígios são mais fortes, e tão piores. Disfarça, fala,e eu entendo mais. E compreender o que não se quer é como uma lança que rasga mesmo. Não queria , eu juro que não queria (muito). Se eu fosse menos egocêntrica,ah! Quando você ligasse,diria: "eu estou bem".(Ps:histérica). E desligaria sem querer de me atirar de algum lugar. Quanto tempo ainda tem teu amor? Caso você não compreenda, (porque seus planos são diferentes dos meus), eu fugi mesmo. Não se espante, se ás três da manhã eu chegar insônia, e despertar o mesmo amargo do café de todas as noites, e causar quem sabe, alguma atitude. E eu pergunto:quanto tempo terá o meu? Reticências...? Mas caso compreenda, (porque ninguém sabe mais dos meus planos do que você), eu cansei mesmo. Não se espante se meu email não chegar, se não te atender, se eu mudar de endereço. Ainda assim, por caridade, talvez, se eu quiser, te deixo algum sinal, só pra não pensar que isso não foi importante. É , foi, e ainda é. Tão abstrata, essa forma de ficar. Me confunde. Nunca gostei de esconde-esconde, gato e rato, de coisas desencontradas. Então,até o sonho me trazer o real, e me tirar essas dúvidas da cabeça, vou dar um tempo.E você? Vai ficar ou vai correr? Vai salvar ou esquecer? Você ainda tem tempo? Por obséquio, te imploro, suplico: se ainda tem, caro amor, preencha essas reticências (...), por favor.
- Patty Vicensotti
quinta-feira, 22 de abril de 2010
A oração do Avesso
Deus , em cada novo dia da minha Vida ,
nos momentos de inconformação com tantas coisas ,
ajude-me a lembrar destas afirmações :
No mau pensamento:
Obrigado por dar-me o recurso da razão.
Nos males que assisto:
Obrigado por dar-me visão.
No barulho excessivo:
Obrigado por dar-me audição.
Nos odores desagradáveis:
Obrigado por dar-me olfação.
Na palavra lançada sem pensar:
Obrigado por dar-me fala.
Nas mágoas sofridas:
Obrigado por dar-me coração.
No alimento prejudicial:
Obrigado por dar-me digestão.
Nos caminhos difíceis:
Obrigado por dar-me pernas.
Nas pedras em que tropeço:
Obrigado por dar-me pés.
Nas desavenças familiares:
Obrigado pelos seres que me apontam erros.
Na traição e nas maledicências:
Obrigado por mostrar-me os inimigos.
No trabalho árduo e pouco satisfatório:
Obrigado pela capacidade de lutar.
No lazer às vezes monótono:
Obrigado pela oportunidade de descansar.
Em tudo que me desgosta e no que sinto de pior:
Obrigado, Senhor,
pelas chances de tornar-me alguém melhor.
Silvia Schmidt
nos momentos de inconformação com tantas coisas ,
ajude-me a lembrar destas afirmações :
No mau pensamento:
Obrigado por dar-me o recurso da razão.
Nos males que assisto:
Obrigado por dar-me visão.
No barulho excessivo:
Obrigado por dar-me audição.
Nos odores desagradáveis:
Obrigado por dar-me olfação.
Na palavra lançada sem pensar:
Obrigado por dar-me fala.
Nas mágoas sofridas:
Obrigado por dar-me coração.
No alimento prejudicial:
Obrigado por dar-me digestão.
Nos caminhos difíceis:
Obrigado por dar-me pernas.
Nas pedras em que tropeço:
Obrigado por dar-me pés.
Nas desavenças familiares:
Obrigado pelos seres que me apontam erros.
Na traição e nas maledicências:
Obrigado por mostrar-me os inimigos.
No trabalho árduo e pouco satisfatório:
Obrigado pela capacidade de lutar.
No lazer às vezes monótono:
Obrigado pela oportunidade de descansar.
Em tudo que me desgosta e no que sinto de pior:
Obrigado, Senhor,
pelas chances de tornar-me alguém melhor.
Silvia Schmidt
Relacionamento Tênis e Frescobol
Depois de muito meditar sobre o assunto
concluí que os casamentos (relacionamentos)
são de dois tipos:
há os casamentos do tipo Tênis e
há os casamentos do tipo Frescobol.
Os casamentos do tipo tênis
são uma fonte de raiva e ressentimentos
e terminam mal.
Os casamentos do tipo Frescobol
são uma fonte de alegria e têm a chance
de ter vida longa. Explico-me.
Para começar, uma afirmação de Nietzche,
com a qual concordo inteiramente. Dizia ele:
"Ao pensar sobre a possibilidade do casamento,
cada um deveria se fazer a seguinte pergunta:
"Você crê que seria capaz de conversar com prazer
com esta pessoa até sua velhice?"
Tudo o mais no casamento é transitório,
mas as relações que desafiam o tempo
são aquelas construídas sobre a arte de conversar.
Sherezade sabia disso.
Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama
são sempre decapitados pela manhã,
e terminam em separação, pois os prazeres do sexo
se esgotam rapidamente, terminam na morte,
como no filme O Império dos Sentidos.
Por isso, quando o sexo já estava morto na cama,
e o amor não mais se podia dizer através dele,
Sherezade o ressuscitava pela magia da palavra:
começava uma longa conversa sem fim,
que deveria durar mil e uma noites.
O sultão se calava e escutava as suas palavras
como se fossem música.
A música dos sons ou da palavra
-é a sexualidade sob a forma da eternidade:
é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer.
Há os carinhos que se fazem com o corpo
e há os carinhos que se fazem com as palavras.
E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes.
Fazer carinho com as palavras
não é ficar repetindo o tempo todo: "Eu te amo".
Barthes advertia: "Passada a primeira confissão,
eu te amo não quer dizer mais nada".
É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra,
não em sua nudez anatômica,
mas em sua nudez poética.
Recordo a sabedoria de Adélia Prado: "Erótica é a alma".
Tênis é um jogo feroz.
O objetivo é derrotar o adversário.
E a sua derrota se revela no seu erro:
O outro foi incapaz de devolver a bola.
Joga-se tênis para fazer o outro errar.
O bom jogador é aquele que tem a exata noção
do ponto fraco do seu adversário,
é justamente para aí que ele vai dirigir sua cortada.
Palavra muito sugestiva
-que indica o seu objetivo sádico,
que é o de cortar, interromper, derrotar.
O prazer do tênis se encontra, portanto,
no momento em que o jogo não pode mais continuar
porque o adversário foi colocado fora de jogo.
Termina sempre com a alegria de um
e a tristeza de outro.
Frescobol se parece muito com o tênis:
dois jogadores, duas raquetes e uma bola.
Só que, para o jogo ser bom,
é preciso que nenhum dos dois perca.
Se a bola veio meio torta,
a gente sabe que não foi de propósito
e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa,
no lugar certo, para que o outro possa pegá-la.
Não existe adversário porque não há ninguém
a ser derrotado.
Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha.
E ninguém fica feliz quando o outro erra.
O erro de um, no frescobol,
é um acidente lamentável que não deveria ter acontecido.
E o que errou pede desculpas,
e o que provocou o erro se sente culpado.
Mas não tem importância:
começa-se de novo este delicioso jogo
em que ninguém marca pontos...
A bola: são nossas fantasias, irrealidades,
sonhos sob a forma de palavras.
Conversar é ficar batendo sonho pra lá,
sonho pra cá...
Mas há casais que jogam com os sonhos
como se jogassem tênis.
Ficam à espera do momento certo para a cortada.
Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro
para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão...
O que se busca é ter razão
e o que se ganha é o distanciamento.
Aqui, quem ganha sempre perde.
Já no frescobol é diferente:
o sonho do outro é um brinquedo
que deve ser preservado,
pois se sabe que, se é sonho,
é coisa delicada, do coração.
O bom ouvinte é aquele que, ao falar,
abre espaços para que as bolhas de sabão do outro
voem livres ao vento.
Bola vai, bola vem - cresce o amor...
Ninguém ganha, para que os dois ganhem.
E se deseja então que o outro viva sempre,
eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...
Rubem Alves
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