quarta-feira, 18 de novembro de 2009

EU TENHO SAUDADES



EU TENHO SAUDADES
de tudo que marcou a minha vida...
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz,
quando me lembro do passado, eu sinto saudades...


SINTO SAUDADES
de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não
mais falei ou cruzei...

SINTO SAUDADES
da minha infância,
do meu primeiro amor,
do meu segundo,
do terceiro,
do penúltimo
e daqueles que ainda vou vir a ter,
se Deus quiser...

SINTO SAUDADES
do presente, que não aproveitei de todo,
lembrando do passado e apostando no futuro...

SINTO SAUDADES
do futuro, que se idealizado,
provavelmente não será do jeito
que eu penso que vai ser...
SINTO SAUDADES
de quem me deixou
e de quem eu deixei,
de quem disse que viria e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter
a oportunidade de conhecer.


SINTO SAUDADES
dos que se foram
e de quem não me despedi direito;
daqueles que não tiveram como me dizer adeus;
de gente que passou
na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre;
de coisas que eu tive
e de outras que não tive mas quis muito ter;
de coisas que nem sei que existiram
mas que se soubesse,
de certo gostaria de experimentar;
SINTO SAUDADES
de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos,
de experiências...

SINTO SAUDADES
do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava totalmente,
como só os cães são capazes de fazer,
dos livros que li e que me fizeram viajar,
dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,
das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade;
Quantas vezes tenho vontade de encontrar
não sei o que,
não sei aonde,
para resgatar alguma coisa
que nem sei o que é e nem onde perdi...
Vejo o mundo girando e penso que
poderia estar sentindo SAUDADES em
japonês, em russo, em italiano, em inglês,
mas que minha saudade,
por eu ter nascido brasileiro,
só fala português embora, lá no fundo,
possa ser poliglota.
Aliás, dizem que costuma-se usar sempre
a língua pátria, espontaneamente,
quando estamos desesperados,
para contar dinheiro, fazer amor
e clarear sentimentos fortes,
seja lá em que lugar do mundo estejamos.

Eu acredito que um simples "I Miss You",
ou seja lá como possamos traduzir SAUDADE
em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado
da nossa palavrinha.
Talvez não exprima, corretamente, a imensa falta
que sentimos de coisas ou pessoas queridas.

E é por isso que eu tenho mais SAUDADES...
Porque encontrei uma palavra para usar
todas as vezes em que sinto este
aperto no peito, meio nostálgico,
meio gostoso, mas que funciona melhor
do que um sinal vital quando se quer falar
de vida e de sentimentos.
Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis,
de que amamos muito
do que tivemos e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência...

SENTIR SAUDADES, é sinal de que se está vivo
e a vida, mesmo com tantas saudades,
depois dos amigos,
é o bem maior que possuímos !

ANTES DE TE PERDER



Antes de te perder,
dá-me um tempo para te esquecer
um tempo para que eu
apague da minha memória
toda a nossa história.

Que eu possa largar
no passado
nossos beijos e abraços
nosso enorme cansaço
de tanto ter
lutado
por um amor que jamais foi consumado.

Dá-me um tempo para
alcançar a resignação
de ter te amado com tanta dedicação
e nunca ter
podido viver inteiramente essa emoção.

Antes de te perder, espera eu
retornar
desse caminho que não me levou a nenhum lugar.

Permita-me
esquecer
tudo de bom que junto a ti pude viver
e me ajuda a eliminar
todas as dores que ainda insistem em latejar.

Antes de te perder,
dá-me um tempo correto
sem medidas, sem tamanho
basta que ele seja o
certo
para apagar o meu sonho.

Dá-me um tempo sem cobranças
assim como me deste tanto tempo
na hora de me vender esperanças.

Antes de te perder, deixa eu me acostumar
com a idéia de que o meu
amor pode acabar
sem deixar traumas nem amarguras.

Mas antes de te
perder,
preciso te falar da ternura
que sempre senti por ti
e do
quanto será difícil te ver partir
carregando tudo que na tua garganta ficou
calado
quando eu implorava ao teu lado
que me falasses do teu amor
e
com tua imensa sabedoria
tu me poupavas da dor
de saber que por ti eu
era amada
tendo que aceitar que isso não daria em nada.

Me perdoa
antes de te perder
por jamais tua ter sido
e nunca ter podido te ter.

**Silvana Duboc**

domingo, 15 de novembro de 2009


A Glamour Magazine ,edição americana de setembro, está dando o que falar.Tudo por causa dessa moça da imagem acima...sem retoques de Photoshop,natural...Ela está causando o maior frisson,está fazendo chover emails e telefonemas na redação da revista!Quem é ela?perguntam, curiosos,ávidos por mais informações sobre a mulher da página 194...Leitoras e leitores dizem frases tipo essas:
"Eu amo a mulher da página 194!"
"Nunca vi uma imagem tão incrível em uma página de revista feminina!"


"Por fim,alguém que se parece comigo!"
São só algumas das frases ditas pelos leitores.

A Mulher da Página 194

Texto: Martha Medeiros

Ela é loira e linda. Tem 20 anos. Modelo profissional. Saiu na última edição da revista americana Glamour ilustrando uma reportagem sobre autoimagem, e foi o que bastou para causar um rebuliço nos Estados Unidos. A revista recebeu milhares de cartas e e-mails. Razão: a barriga saliente da moça. Teor das mensagens: alívio. Uma mulher com um corpo real.

Não sei se Lizzie Miller, que ficou conhecida como a mulher da página 194, já teve filhos, mas é pouco provável, devido à idade que tem.

No entanto, quem já teve filhos conhece bem aquela dobrinha que se forma ao sentar. E mesmo quem não teve conhece também, bastando para isso pesar um pouco mais do que 48 quilos, que é o que a maioria das tops pesa. Lizzie não é um varapau — atua no mercado das modelos “plus size”, ou seja, de tamanhos grandes. Veste manequim 42, um insulto ao mundo das anoréxicas.

A foto me despertou sentimentos contraditórios. Por mais que estejamos saturados dessa falsa imagem de perfeição feminina que as revistas promovem, há que se admitir: barriga é um troço deselegante. É falso dizer que protuberâncias podem ser charmosas. Não são.

Só que toda mulher possui a sua e isso não é crime, caso contrário, seríamos todas colegas de penitenciária. Sem photoshop, na beira da praia, quase ninguém tem corpaço, a não ser que estejamos nos referindo a volume. Se estivermos falando de silhueta de ninfa, perceba: são três ou quatro entre centenas. E, nesse aspecto, a foto de Lizzie Miller serve como uma espécie de alforria. Principalmente porque ela não causa repulsa, ao contrário, ela desperta uma forte atração que não vem do seu abdômen, e sim do seu semblante extremamente saudável. É saúde o que essa moça vende, e não ilusão.

Um generoso sorriso, dentes bem cuidados, cabelos limpos, segurança, satisfação consigo próprio, inteligência e bom humor: é isso que torna um homem ou uma mulher bonitos. Aquelas meninas magérrimas que ilustram editoriais de moda, quase sempre com cara de quem comeu e não gostou (ou de quem não comeu, mas gostaria), são apenas isso: magérrimas. Não parecem pessoas felizes. Lizzie Miller dá a impressão de ser uma mulher radiante, e se isso não é sedutor, então rasgo o diploma de Psicologia que não tenho. Ela merecia estar na primeira página, mas, mesmo tendo sido publicada na 194, roubou a cena.

Que reação a foto causou em você? Repúdio ou alívio?

sábado, 14 de novembro de 2009

"A Receita"

Houve um tempo em que eu pensava que o amor era um bolo pronto, quente, com recheio de chocolate, qualquer coisa deliciosa e simples que encontramos sobre o café da manhã de um sábado de sol.
Eu pensava que encontraria o meu amor assim, pronto, lindo cheiroso, com um luminoso na testa piscando: "alma gêmea, alma gêmea, alma gêmea". Daríamos as mãos e sairíamos andando juntos, como ficaríamos até o envelhecer.
Eu não contava com dúvidas, medos, questionamentos, muito menos com a -hoje provável -possibilidade de mudar de idéia. Para mim o amor viria pronto para saborear, em caixinha, falaria conforme o script e não deixaria sequer um rastro de confusão ou tristeza na minha cabeça tola.
Antes, não havia a construção do amor. Havia o amor.
Mas eu me enganei.
O amor, se existir, não vem pronto. Se for um bolo de chocolate há de vir os ovos, a farinha o fermento. Com sorte virá uma receita por escrito. Normalmente não...
Ainda assim há de ter paciência para ver o bolo dourar, crescer, assar.
Há de ter sensibilidade para que não passe da hora, atenção para não deixá-lo queimar. E depois disso tudo, esperar esfriar, e ter um pouco de fome para saborear.
O amor, se existir, pode levar anos para estar pronto, uma vida inteira para, talvez, no final, percebermos que não assou, que estragou, que desmanchou no forno. Era pra ser amor, mas queimou, diremos cabisbaixos. Ou então, jovens demais, olharemos ofegantes: Era pra ser amor, mas está cru.
Talvez algumas vezes pareça que está pronto, o bolo. Apetitoso, cheiroso... Porém ao experimentar diremos: Ihh tá com gosto de farinha, mas era pra ser amor.
Ou então acontece de o bolo sair bom, tiramos uma garfada e vibramos satisfeitos: Achei! - Mas daí, quando vamos desenfornar, o bolo desmancha. Você fica lá, tentado juntar, ajeitar, mas o que era pra ser amor, está em pedaços....
Ah talvez por isso percamos a fome, nos cansamos e nos contentamos com qualquer coisa mais ou menos, sem recheio, sem gosto, sem açúcar... Eu, tenho escutado o padeiro dizer: Amor não tem mais não. Se quiser, leva esse aqui...
E lá vou eu carregando a sacolinha do bolo pulmman. Meio velho, frio, sem gosto. É só pra não morrer de fome mesmo...

Novamente do Estações.


QUERO UM AMOR
Eu quero um amor único e insubstituível, onde cada um de nós se apresente verdadeiro pelas características genéricas e pessoais de comportamento, a ponto de em nosso cotidiano sabermos quem é quem de verdade, e até quem somos nós para nós mesmos.
É assim de forma aberta de ser homem ou ser mulher, onde ambos os sexos se apresente um frente ao outro. Onde cada um de nós viva uma felicidade recíproca de quem é o outro de verdade, e até de quem somos nós para nós mesmos.
Quero um amor que espere de mim e me implore sentimentalmente que eu como seu escolhido, a revele em toda a sua intimidade, ocultas em cada gesto, em cada palavra, em suas preferências, em cada centímetro de seu corpo e em seu rosto único.
Quero um amor que espere de mim o seu descobrimento, espere que eu a descubra, que revele à luz da evidência aquela pessoa secreta, que é ela mesma, oculta debaixo de máscaras sociais.
Quero um amor que seja, via dupla do desnudamento recíproco, não somente da delícia dos corpos, como da personalidade de cada um de nós, que palpita em um segredo, esperando o momento da revelação.
Quero um amor que se atire em meus braços, olhando dentro dos meus olhos, esperando que eu responda à pergunta, “quem sou eu, meu amor?”.E à medida que ela me sente, que ela me ouve, vai aflorando em seu ser uma nova mulher, uma nova amante.
Quero um amor vidente e previdente, onde nos enxerguemos no fundo de nossas almas.
Quero um amor divinatório e perspicaz, que seja mais do que amor seja amar junto com a minha amada.
Toda a minha vida eu tenho procurado esse amor.
Quero esse amor.

AD

quarta-feira, 11 de novembro de 2009



O amor acaba
"O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba."


Paulo Mendes Campos)

CRÔNICA PARA VERÔNICA (fato real)

**Mellíss**

Verônica nasceu em Angola, que é considerado o pior lugar do mundo para alguém nascer. Verônica tinha olhos enormes, boca de anjinho, nariz de boneca, cabelo enrolado, típico querubim barroco. Verônica tinha dois anos de vida, tinha mãe e tinha pai, era amada e, se tivesse uma chance, se vencesse a fome e a indiferença que varrem o mundo, certamente seria uma moça linda, doce filha das terras angolanas.

Entretanto, não foi assim que se deu ...

Um dia, sem outras razões senão a ira desenfreada e um ódio sem limites, um homem mau entrou na casa de Verônica e atirou na mãe dela. A mulher, que segurava a criança nos braços, teve o corpo trespassado pela bala que, num impacto brutal, acabou saindo pelas costas da menina.... Só quem viu seu olhar incrédulo, seu espanto mudo, a perplexidade daquela garotinha linda, entendeu porque a maldade do mundo se alimenta da desesperança .... Confesso que chorei, e ainda choro, sempre que escrevo ou falo sobre ela... Telespectadora do horror, vi quando a equipe médica colocou seu corpo pequenino sobre a maca metálica, tentando salvá-la a qualquer custo. Ainda pude ouvir seu choro de bebê, sua última expressão de vida ... .

Verônica-menina-anjo-pretinha-linda não resistiu, foi ficar entre as estrelas que enfeitam os céus da África.
Não bastasse a fome que certamente já enfrentava, as doenças e as desgraças que a miséria acarreta, o desrespeito das lutas raciais daquele país, Verônica levou em suas costas as marcas da covardia dos verdadeiros assassinos, aqueles que se escondem em máscaras de omissão, pois há muitas formas de matar, usando os outros ...
Uso Verônica como uma bandeira para falar das crianças de todo o mundo, inclusive das nossas crianças brasileiras, filhas da fome e do esquecimento, sombras perdidas nas esquinas imundas, expostas aos perigos impunemente.

Lancemos um olhar para as noites pontilhadas de estrelas !

- Quantas delas não serão outras Verônicas, anônimas, vítimas da Paz que o homem teima em manchar de lágrimas e sangue ?
- Quantas delas não serão outras vítimas das leis que pregam que cada um é por si, nenhum por todos ?
- Quando é que vamos lembrar que Deus nos fez lanterneiros, esperando apagar as trevas ?

Se a história de Verônica tocou sua alma, sua morte não terá sido em vão.
Pense: Neste exato momento, em muitos lugares do mundo, mais perto do que você pensa, a maldade está se alimentando da vida nossas crianças... E enquanto a maldade come, o egoísmo avança ... .

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